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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CABOCLO AKUAN E OS ASTECAS


Já a algum tempo a curiosidade sobre a origem do Caboclo Akuan me
motivava a pesquisar a cerca do tema. Durante minhas buscas em
contextualizar seu Akuan à civilização asteca, fiz uma pausa e durante
alguns segundos, fiquei olhando para o nada. O livro Grifos do Passado,
de Pai Fernando Guimarães, estava à direita de minha mesa. Peguei-o
para dar uma olhada, a fim de encontrar mais alguma informação que
poderia ter escapado, deparei-me com o seguinte trecho:

"Quando sabia que ninguém podia me ver, punha minha filha no chão
e ficava bom tempo brincando com ela, feito curumim. Foi precoce sua
morte. Chorei muito e senti sua falta. Mas não ia querer conhecer a razão, sabendo que os deuses estavam cuidando dela", emocionado, parou de falar.

Os cambonos vendo a emoção da entidade, cuidaram para que ninguém
do terreiro, chegasse por perto. Ele continuou:

"- Quando desencarnei, tive um reencontro. Esta menina, que quando
encarnada era minha filha, hoje trabalha comigo, em forma de águia".

Lendo essa passagem, da qual não me recordava, tive a sensação de ter
alguma informação no meu material que falasse sobre a interpretação
asteca sobre morte infantil: as crianças pequenas, antes de começarem
estudar, eram consideradas puras. Sendo asssim,quando morriam, iam
para um jardim florido denominado Tonacaquauhtitlan. Lá viviam por
toda a eternidade, sob a forma de pássaros, voando sobre as flores.

Desta vez fui eu, como filha do guia espiritual, Caboclo Akuan que me
emocionei.

O presente texto objetiva apresentar especulação acerca da origem
histórica do Caboclo Akuan, analisando onde ele pode ter vivido e os
elementos místicos que o acompanham. Apresentando obviamente as
informações acumuladas, as seguintes linhas se debruçam acerca apenas
da relação entre os dois objetos da pesquisa.

CABOCLO AKUAN, ONDE VIVEU E ONDE NÃO PODE TER VIVIDO

Em primeiro momento, parecía-me acima de qualquer questionamento
a origem tupiniquim de Seu Akuan, parando um pouco para pensar,
esta certeza se esvai: se há espíritos orientais (linha do oriente), por
que todos os caboclos da linha de Ogum, tinham que ser brasileiros...

Foi em busca de respostas, que na América Central me encontrei com
a história de meu Pai Akuan, contada pela história mundial.

O questionamento acerca da brasilidade da entidade surgiu, quando me
dei conta que o cobre era uma mãe rica registrada nos trabalhos
espirituais do Caboclo Akuan. Processos metalúrgicos não eram
dominados poe índios brasileiros, os quais não conheciam o ferro, o
ouro ou o cobre. Seus traços mongóis, suas vestimentas e o seu
histórico apontavam mais diretamente para as civilizações pré-colombianas, que em uma grosseira generalização, podemos dividir em: maia, inca e asteca.

A imagemdo Caboclo Akuan é descrita como um homem de pele parda,
estatura mediana, rosto redondo. Esta figura é essencialmente distinta
da de um típico maia: ao nascer a criança maia passava por um ritual
de achatamento do crânio, o que deixava a testa aplainada e o rosto
intensamente alongado; o padrão de beleza maia vislumbrava olhos
estrábicos; que eram forçados pela técnica de colocar uma pequena
bola de cêra entre os olhos do bebê; a cabeça era revestida com pesados
chapéus e as roupas eram intensamente coloridas, grandes e ornamentadas.

Desacredito tambémque seja um inca, civilização que possuia o costume
de matar ou abandonar crianças nascidas fora do padrão. Uma criança
inca, portadora de síndrome de Down, como filha do caboclo, mesmo
que fosse acolhida no berço da família, dificilmente sobreviveria aos
primeiros anos de vida, devido às severidades da infância; as crianças
raramente recebiam colo, o primeiro banho era com água fria. Elas
deviam andar completamente sozinhas, ainda no priemeiro ano de vida,
e em casos de doença, lhes era dado o cordão umbilical como alimento.
Minha crença na origem asteca de seu Akuan, não parte das negativas
recém expostas, ela nasce das infinitas afirmativas que encontrei ao
longo de minha pesquisa. Porém, cabe ressaltar que escrevo essas linhas
com a mente de uma leiga em história, que espera que baste a mão
guiada pelo coração. No mundo das certezas não é permitido escrever
uma pesquisa séria sobre uma entidade de Umbanda. Então por que
escrever... o que me faz arriscar... Porque tenho um trunfo que aprendi
com Seu Akuan: TER FÉ!

O MILITARISMO ASTECA E SEU AKUAN

O império asteca durou de 1325 a 1521. A capital do reino era
Tenochtitlán (atual cidade do Méxixo). Guerrilhar era a principal
atividade e a estrutura social era hierarquizada. A metalurgia era bem
desenvolvida, apesar dos metais não terem grande valor econômico.
Seus exércitos eram divididos em pelotões, falanges. Dentre as tropas,
duas eram de elite: "Guerreiros Àguias" e "Guerreiros Panteras".

GUERREIROS ÁGUIAS

Há um trcho no livro Grifos do Passado que me recordo bem: "Antes de
subir o Caboclo (Akuan) faz um gesto como, se soltasse uma ave de seu
antebraço(...)". A ligação do Caboclo como animal é tão intensa, que em
seu ponto riscado, á águia é um elemento "desenhado" no canto da tábua.
A sociedade asteca possuia diversas classes, uma delas eram os
Guerreiros Àguias. Constituiam um pelotão de elite do exército asteca.
Vestiam roupas leves e quando usavam armadura esta era de couro,
recoberta com penas de águia. Levqavam à cabeça um capacete de
madeira em formato da cabeça da ave, revestido de penas. Normalmente
lutavam com lançaa compridas. Tais soldados eram acompanhados em
suas batalhas pelos Guerreiros Jaguar.

GUERREIROS JAGUAR

Jáguar é um gênero de felino da família Phantera. Os Guerreiros Jaguar,
possuiam este nome devido as suas vestimentas de batalha:
trajavam-se com couro de jaguares mortos, e utilizavam um capacete
confeccionado com ossos da cabeça do animal (ligado ainda à pele do
jaguar com as presas e os pelos intactos.
Seu Akuan é o Guardião dos "Caboclos da Pantera", falange de entidades
comumente chamadas nos trabalhos espirituais de demanda dirigidos
pelo Guerreiro. A descrição da imagem "dos panteras" está em tanta
consonância com a dos Guerreiros Jaguar, que seria redundância
descrevê-la.

OS ANIMAIS QUE ACOMPANHAM SEU AKUAN E AS LENDAS ASTECAS

Já dizia Seattle, chefe espiritual deuma tribo indígena norte americana:
"O que é o homem sem os animais... Se todos os animais fossem homens
morreriam de uma grande solidão de espírito. O que ocorre com os
animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo. O que
ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios".
Todo animal carrega consigo um simbolismo. O homem não se contentou
em observar o vôo ou escutar o galope, ele tinha que metaforizá-los.
Assim sendo, tanto o cavalo quanto a águia, animais que acompanham o
Caboclo Akuan, foram protagonistas de lendas astecas. Em função do
tema segue-se a presente análise:

A ÁGUIA

É considerada em diversas culturas como a "rainha dos pássaros", a
mensageira, a substituta do fogo celeste. Ela não é um símbolo apenas
para os astecas, tendo em diversas culturas interpretações muito
interessantes, na maioria das vezes, sendo ligada ao místico e a
espiritualidade. Para os índios norte americanos, a águia é quem
carrega a Iama xamã - fogo que representa a morte e o vôo estático.
Consideravam as penas da ave como um objeto de cura. Via-se a ave
como um remédio. A consideravam como iniciadora e regeneradora,
sendo a única que podia vagar pelo mundo dos espíritos e voltar para
o mundo dos vivos.
Para os incas, a ave possuia o poder de absorção de energia e regeneração. Na tradição helênica, a ave é um atributo de Zeus.
Na Roma antiga, era o emblema de Júpiter, no Egito era a forma
material de representação do deus Hórus, os nórdicos ornamentavam
seus capacetes com suas penas. Os astecas viam a águia como o próprio
Sol (Tonatiuh). A bandeira mexicana tem o símbolo da águia comendo
uma serpente em memória ao povo asteca. Uma vez seu Fernando disse
que Iansã - Orixá dos Raios e Trovões, era os braços do twrreiro Pai
Maneco. Toda vez que olho para a estátua da águia do Seu Akuan em
cima do congá, e lembro das lendas e histórias que envolvem esse
animal em diversas culturas, penso: O Terreiro do Pai Maneco tem
braços...não teria asas...

O CAVALO

Assim como a águia, o cavalo trm profunda ligação com a mitologia.
Sua função mítica e, geralmente, ligada à condução dos deuses de um
mundo ao outro. Posseidon era o deus grego dos cavalos, com o poder
de se transformar num.
Os astecas previram a vinda de um deus de muita luz: Quetzalcoati,
esse futuro condutor da nação era esperado de 52 a 52 anos.
Dizia-se que viria montado em um animal beanco. O Imperador
Moctezuma II conduziu cocluiu precipitadamente que o conquistador
espanhol Fernão Cortez era esse deus (afinal havia chegado montado
em um cavalo branco e com sua armadura reluzente, exatamente em
um dos anos esperados para a chegada de Quetzalcoati - 1519). De uma
maneira simbolista, seria muito coerente o Caboclo Akuan, se asteca,
fosse trazido em um cavalo branco, uma vez que é sim, UM GUIA DE
MUITA LUZ!

SALVE O CABOCLO AKUAN

SALVE OGUM!

Fonte: Terreiro de Umbanda Pai Maneco.


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